Pacientes com dor crônica usam 2,6 vezes mais serviços médicos, aponta pesquisa

blog-image
Além do incômodo característico, a dor crônica gera impactos a longo prazo na qualidade de vida do paciente e despesas substanciais com serviços de saúde. Pesquisa da Capesesp - Caixa de Previdência e Assistência dos Servidores da Fundação Nacional de Saúde, operadora de planos de saúde sem fins lucrativos filiada à UNIDAS (União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde), aponta que os pacientes com dor crônica usam, em média, 2,6 vezes mais o atendimento médico e serviços hospitalares, com despesa anual per capita de R$ 3.126,23 - mais que o dobro do paciente sem queixas de dor (R$ 1.241,57). Se levarmos em conta que cerca de 30% da população tem dor crônica, e considerarmos este percentual no total de beneficiários do plano (100 mil vidas), a despesa anual chega próximo de R$ 56 milhões (adicionais).

Além do uso dos serviços médicos ambulatorial e hospitalar, a dor crônica tem impacto também nas despesas referentes a reembolsos de medicamentos. Pelo menos 36% dos remédios reembolsados eram produtos comumente utilizados para o alívio da dor. Deste total, 10,5% não esteróides anti-inflamatórios; 9% antiepilépticos; 7,3% analgésico não-opióide, 4,4% ansiolíticos, 3,8% antidepressivos e 1% neurolépticos.

“O resultado encontrado em nosso inquérito epidemiológico demonstra que a queixa mais frequente foi cefaleia, uma das causas mais prevalentes de dor crônica, podendo alcançar níveis epidêmicos em determinadas populações. Outro fator a ser considerado e que demonstra a prevalência do problema foi de que cerca de 30% dos que referiram algum sintoma espontaneamente queixaram-se de dor em pergunta não induzida”, explica o diretor técnico da UNIDAS, João Paulo dos Reis Neto.

A pesquisa reuniu 46.407 beneficiários do plano, sendo 45.79% do sexo masculino e 54,21% do sexo feminino.  A média de idade do grupo foi de 46,12 anos. A principal queixa apontada pelos participantes foi dor de cabeça, citada por 22.718 indivíduos (48,9%). Relatos de dor no peito foram mencionados por 7.396 beneficiários pesquisados (15,9%).

A dor pode ser definida como crônica quando persiste por um tempo razoável para uma cura possível, ou, ainda, quando relacionada a doenças crônicas, apresentando-se como uma síndrome com duração maior que três meses, de maneira contínua ou recorrente. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, a dor crônica afeta 30% da população do mundo, sendo que deste percentual, boa parte dos pacientes tornam-se parcial ou totalmente incapacitados, de maneira transitória ou permanente, comprometendo de modo significativo a qualidade de vida.

“Cabe aos gestores da saúde em conjunto com os prestadores de serviços médico-hospitalares especializados a definição de estratégias compartilhadas e efetivas para o controle e tratamento dos que sofrem desse mal. O reconhecimento da dor crônica como um importante e real problema de saúde é o primeiro passo nessa direção”, pondera João Paulo.

Dentre os fatores que contribuem para prevalência crescente de dor crônica, são apontadas as mudanças nos hábitos de vida e ambientais, o envelhecimento da população e consequentemente aumento das doenças relacionadas à idade, principalmente as doenças crônicas, aumento da sobrevida por doenças anteriormente fatais, em especial o câncer, onde a quase totalidade dos pacientes em alguma fase da doença irá sentir dor.


Fonte: www.acritica.net
Por OUTROS, 28.JUNHO.2016 | Postado em Saúde 0 comentário(s)

Comentários

Deixe um comentário

Informação: não é permitido conteúdo HTML!
* Campos obrigatórios